quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Estudante de direito morta no PI foi jogada de prédio em obras, diz MP (Postado por Erick Oliveira)

Laudos da perícia no caso da morte da estudante Fernanda Lages Veras, de 19 anos, apontam para homicídio doloso, segundo o Ministério Público. A jovem foi encontrada morta no dia 25 de agosto no prédio em obras que será sede do Ministério Público Federal em Teresina. Promotores que investigam o caso junto à Polícia Civil acreditam que ao menos dois homens estão envolvidos no crime, mas dizem que ainda não é possível revelar detalhes sobre a motivação.
De acordo com o Ministério Público, a estudante teria sido jogada do 5º andar do prédio da obra, um espaço aberto onde há um mirante e uma mureta de 1,4 metros de altura. O resultado de exames periciais no corpo da estudante mostra que a morte foi consequência da queda, segundo o MP. O DNA de dois homens foi encontrado no local e deve ser analisado.
Fernanda era filha de um ex-vereador de Barras (127 km da capital). No início do ano, mudou-se para Teresina para estudar direito. Segundo a polícia, no dia do crime, o corpo da jovem tinha marcas de ferimento profundo na cabeça e um dos braços quebrado, o que indicaria luta corporal com um possível agressor.
Laudos
O cenário do crime foi delineado pelos promotores com base nas investigações, depoimentos e no resultado dos laudos, entregues esta semana após análises feitas em João Pessoa. Fernanda teria entrado por um portão contíguo à obra, na sede do TRT (Tribunal Regional do Trabalho), por volta das 5h30, e caminhado até o futuro prédio do MPF. Antes, teria permanecido no próprio carro, encontrado no dia seguinte no local, por cinco minutos. A informação foi dada por um vigia da obra.
A estudante possuía elevado teor alcoólico no corpo, e nenhum vestígio de consumo de drogas. Segundo depoimentos, ela saiu de um restaurante onde festejava com amigos. Ela também não foi vítima de estupro, de acordo com a perícia.
Segundo o Ministério Público, os laudos concluem que Fernanda teve duas fraturas no braço esquerdo, e diversas marcas sincronizadas do lado direito do corpo, compatíveis com batidas na quina dos degraus da escadaria do prédio, que tem um canto de metal. “É possível que ela tenha caminhado até certo ponto, e depois tenha sido puxada pelo braço esquerdo, arrastada, batendo na escada”, diz o promotor José Eliardo Cabral.
Com essa conclusão, a hipótese de suicídio é totalmente descartada pela Promotoria. “É fato superado, estamos convictos de que se trata de homicídio doloso e certamente com algumas qualificadoras”, afirma o promotor. “Ela, com certeza, foi arrastada por alguém, ou mais de uma pessoa. O local é de difícil acesso, e só seria possível fazer o percurso conhecendo o lugar. O alto teor de álcool também indica que ela poderia ter dificuldades para andar.”
Ainda segundo a Promotoria, no último andar, perto da mureta, a estudante teria sido suspensa por alguém, momento em que não reunia mais forças para oferecer resistência. “Não há sinais de luta corporal ou resistência. Essa mureta foi pintada no dia anterior. Em um dos calçados, que caiu rente à parede do prédio, há uma marca em cima do pé, compatível com a mureta”, afirma o promotor Ubiracy Rocha.
A perícia também concluiu que a morte ocorreu em razão da queda do edifício, como consequência do impacto com o cimento, por meio de marcas de desaceleração e lesões internas. Nas unhas da estudante também não foram encontrados vestígios de DNA de outras pessoas. "Nenhum material que não o dela foi encontrado no corpo", afirma. No local do crime, na escadaria e na mureta, porém, fios de cabelo, suor e sangue apontam para o perfil de dois homens que estiveram no local.
Teste de DNA
A Polícia Civil recolheu a saliva de 30 pessoas, incluindo operários da obra, para comparar com o DNA encontrado. Os exames devem ser feitos em João Pessoa, e os resultados devem ficar prontos entre 8 e 10 dias. “Dois homens estavam na cena do crime, executores, e trabalhamos com a hipótese de alguém de fora, um mandante. Em tese, ela teria sido atraída àquele local, o que resultou em sua morte. Talvez Fernanda soubesse de alguma coisa que não interessava a uma determinada pessoa. Segundo depoimentos, era uma jovem que vivia intensamente a vida, gostava muito de sair com as amigas. Não cometeria suicídio”, diz Rocha.
“A prova pericial será definitiva nesse caso, assim como naquele da Isabella Nardoni. Ela traz os perfis de dois homens que possivelmente estiveram na cena do crime. Estamos colhendo mais provas, testemunhas, pessoas possíveis. Parece um enigma. Há sim um sentimento de que estamos diante de uma morte terrível aparentemente por motivos obscuros”, conclui o promotor.
Em razão da demora do resultado da perícia, o inquérito foi prorrogado por mais 30 dias. Nesta semana, a polícia deve realizar uma nova reconstituição do crime no local, desta vez, para simular a queda do corpo do mirante. A data ainda não foi marcada.

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