sábado, 14 de maio de 2011

Teresina terá casamento gay coletivo em praça pública na segunda-feira

Para aproveitar a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que reconheceu as uniões homoafetivas estáveis para aposentadoria, pensões e planos de saúde, gays do Piauí vão se casar nesta segunda-feira, na Praça João Luiz Ferreira, no centro de Teresina, em casamento coletivo organizado pelas entidades ativistas Grupo Matizes e Liga e Liga Brasileira de Lésbicas (LBL) para lembrar o Dia Mundial de Combate à Homofobia.
A coordenadora geral do Grupo Matizes, Carmen Ribeiro, disse que partindo da ideia de que "gentileza gera gentileza", os militantes do Matizes e da LBL distribuirão flores para pessoas que estarão na praça no horário do ato.
Durante os casamentos gays haverá também apresentações artísticas, panfletagem e uma solenidade para lavratura de escritura pública de união estável de um casal de lésbicas.
Carmen Ribeiro disse que desde 2006 o Grupo Matizes realiza solenidades para registro coletivo de união estável entre pessoas do mesmo sexo, mas a de segunda-feira será diferente porque é a primeira vez que a solenidade ocorre em uma praça pública e a tabeliã do Cartório Themístocles Sampaio, de Teresina, estará na Praça João Luiz Ferreira para lavratura da escritura.
Segundo Carmen Ribeiro, Coordenadora Geral do Matizes, o objetivo da solenidade é dizer para a sociedade que as uniões homoafetivas são uma realidade e que casais de gays e de lésbicas se unem fundamentalmente pelo afeto, devendo ser respeitados em suas preferencias sexuais.
Ela falou que entre os anos de 1948 e 1990, a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificava a homossexualidade como um transtorno mental. Neste período, usava-se o termo "homossexualismo" para referir-se à orientação sexual de uma pessoa.
- Vale ressaltar que o sufixo 'ismo' significa 'doença', uma 'patologia - declarou Carmen Ribeiro.
Em 17 de maio de 1990, a assembleia geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) aprovou e oficializou a retirada do Código 302.0 (Homossexualismo) da CID (Classificação Internacional de Doenças), e declarou oficialmente que "a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio".
Carmen Ribeiro declarou que a partir deste fato histórico o Movimento LGBT Mundial tem priorizado a propagação mundial do termo "homossexualidade" em vez de "homossexualismo".
- Por esta razão, o dia 17 de maio tornou-se uma data simbólica e histórica para o Movimento LGBT Mundial que incentiva a promoção de eventos de conscientização pública em todas as regiões do planeta, visando chamar a atenção das pessoas, principalmente de autoridades públicas e políticas, inclusive gestores públicos, para a necessidade cada vez mais urgente de combater e exterminar a homofobia, em suas mais diferentes formas de manifestação e ação (homofobia, lesbofobia e transfobia) e, assim, evitar que cada vez mais pessoas inocentes da sociedade continuem sendo brutal e covardemente assassinadas por causa de suas orientações sexuais e/ou identidades de gênero - disse Carmen Ribeiro.
Ela falou que em 2010, segundo dados recentemente divulgados pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), a homofobia matou, com extrema crueldade e violência, cerca de 260 homossexuais em território brasileiro.
- Esta, é uma realidade sangrenta que precisa ser extirpada - declarou.

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